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Abram-se os caminhos

Deixa ver se eu entendi: então você se interessa mesmo por ler o que eu escrevo. Tipo, você pega seu tempo, a coisa mais preciosa que tem, e investe nesse momento. Você fica aí, lendo as palavras que saíram das minhas mãos... Não há nada nesse mundo melhor para fazer agora - esse é o nível que você se importa.


Hoje eu vim te contar uma história que vivi há alguns meses no Uruguai, na festa de casamento de um casal de quem gosto muito. Devia ser umas onze da noite, e o buffet livre da janta estava finalmente servido. Digo finalmente não porque eu estivesse com fome ou ansioso, mas porque estava programada para ser servida às dez, eu acho.


O que aconteceu nessa hora foi que as pessoas convidadas se levantaram todas quase que simultaneamente para se servir, e logo se formou uma fila de algumas dezenas de pessoas. Nesse momento eu estava no banheiro, e quando voltei para a festa e vi aquela fila não consegui entender. Havia no salão duas mesas de buffet iguais, ambas com possibilidade de se servir pelos dois lados, e no entanto só havia uma grande fila que desembocava em uma das quatro possibilidades de encher seu prato.


Óbvio que eu não fiz toda essa análise em um segundo, o que eu fiz foi olhar todo aquele espaço vazio para pegar a comida nos buffets e me aproximei, já com meu prato na mão, para analisar as opções e decidir o que ia comer. Quando fiz isso, percebi que não estava atrapalhando ninguém que estava se servindo, e que podia tranquilamente tomar o pegador e colocar umas batatas no meu prato sem atrasar ninguém.


Nisso vi que a Fran e outras pessoas me olhavam da fila com uma careta que pendulava entre o incômodo e a curiosidade. Não pensei que eu estava "furando a fila", até porque odeio quem fura a fila, e sim que estava fazendo um favor ao liberar um espaço na fila, pois meu prato já estava quase cheio e eu não atrasei ninguém. Alguns segundos depois a Fran se aproximou e disse "O que tu tá fazendo", "Me servindo", respondi. "Mas e a fila", ela questionou. "A fila é para se servir naquele lado do buffet, e eu vim nesse outro lado, aqui não tem fila", falei.


Não deu 5 segundos depois disso e as pessoas da fila se deram conta: era possível se servir de ambos os lados e nas duas bancadas de buffet simultaneamente, e assim em poucos segundos todos estavam se servindo também. Eu saí com um sorriso de consciência leve e com o prato recheado, com a certeza de que minhas ações, e não minhas palavras, puderam desbloquear naquelas pessoas da fila uma nova visão: é possível conseguir o que se quer de várias formas, sem ter que ficar esperando a sua vez numa fila, e mesmo assim todas e todos ficarem felizes.


Há mais de cem anos Carlo Dossi, conterrâneo dos meus bisavós falou: "Os loucos abrem caminhos que mais tarde serão percorridos pelos sábios". Eu sei. Você também. Se você estiver em uma fila, observe: é esse o melhor jeito de conseguir o que você quer?

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