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Foi pouco tempo mas valeu

Ontem (sábado, dia 17/08) saí pela tarde pra correr. Eram pelas três da tarde e me peguei mexendo no celular vendo coisas aleatórias - instagram, 9gag, essas rolagens infinitas. Botei os tênis e corri até a praia. Na volta ia passar no mercado para comprar bananas e abacates, mas quando estava quase chegando me deparei com um cão perdido na rua (que na verdade era uma cadela). Era fácil de ver que estava perdida porque ela andava meio que ziguezagueando e cheirando por tudo. Também estava “em forma”, com a pelagem sem sujeira, e era da raça Pug, um tipo incomum de ver na rua.


Senti um impulso e peguei ela no colo. Estávamos na calçada ao lado de uma avenida movimentada, onde os carros passam a 60 km/h. Eu nunca tinha feito isso de pegar um animal na rua e sentir compaixão a ponto de dar meu tempo e minha energia pra ajudar de verdade, simplesmente aconteceu. Minha primeira ação foi ver se tinha o contato na coleira, mas não tinha. Depois a levei ao mercado, que era a uns 100 metros. Deixei meu nome e telefone para caso a tutora da cadela fosse lá, e uma moça fez uma guia improvisada com um plástico enrolado em forma de corda.


Eu decidi então levar ela pra casa e divulgar a foto nas redes sociais pra ver se a tutora aparecia. Tenho o privilégio de morar em uma casa com quintal, então seria tranquilo.

“Ela é uma cadela pequena e parece ser bem calma, e a tutora logo vai aparecer”, pensei.

Já temos uma outra cadela aqui em casa, a Jujuba, que é também pequenina, uma Pequinês. Felizmente as duas se deram bem, não se estranharam muito. Postamos as fotos nas redes e esperamos.


A curiosidade é que, bem nesse dia, era a comemoração do meu aniversário. Na quinta, dia 15, foi o dia mesmo que eu nasci, mas resolvi celebrar no sábado junto com algumas amigas e amigos. E bem nesse dia e horário ela apareceu. Eu não sei o que, mas sinto que ela veio para me ensinar algo, como um presente do Universo nesse meu novo ciclo.


Em poucos minutos ela já tava se sentindo em casa, subindo no sofá e fazendo xixi na grama do pátio, parecia que morava ali. Nisso as pessoas começaram a chegar, tanto as que moram comigo quanto as convidadas - e eu explicando o que tinha acontecido, que eu tinha achado ela na rua. Quase não dava pra acreditar, de tão em casa que ela parecia se sentir.


E, por algum motivo, ela parecia se sentir especialmente à vontade comigo. Me seguia pela casa, obedecia meus pedidos, pedia e recebia carinho. Uma completa desconhecida há poucas horas vivia agora temporariamente dentro da minha casa, usufruía do espaço, recebia e dava amor. Como pode?


Tanta pureza, tanta calma, tanta energia em um só ser. Bem no dia da festa. Logo no meio do meu caminho.


De madrugada, ainda sem notícias da tutora, botamos ela pra dormir no quintal. Ela tava fedida e não sabia o que podia acontecer com ela sozinha na sala, achei melhor não arriscar. Antes da gente se deitar fiquei cuidando pela sacada do meu quarto e logo vi ela passando pelo meio das grades do portão da frente e indo pra rua. Desci correndo as escadas a tempo de encontrar ela do outro lado da rua e chamar pra dentro de novo. Dessa vez botamos ela num lugar diferente, com portas que ela não conseguiria atravessar. Cuidei de novo pela sacada e vi que dessa vez ela ia ficar por ali mesmo.


Imagina, achar a cadela, postar nas redes, e quando a tutora vir pegar ter perdido ela! Não dá, né?


Acordamos às 07h30 com uma ventania e fomos logo tirar ela do quintal. Acabou indo dormir num quarto junto com a Jujuba. Logo depois recebemos a notícia que a tutora tinha entrado em contato e jajá viria pegá-la. Admito que nos demos tão bem com ela que, caso a tutora não aparecesse, iríamos cuidar dela. Tentei não criar expectativas porque me parecia óbvio que ela tinha uma família, mas existia a remota hipótese de ela ter sido abandonada.


Ainda de manhã uma moça veio e levou ela, e ficou por aqui as lembranças: primeiro, de como é bom poder ajudar, tanto o animal, que foi bem cuidado e não correu o risco de ser atropelado, quanto à família, que recebeu seu bixinho de volta.


Assim como podemos ajudar cães, podemos ajudar seres humanos e também outros animais. Se temos a disposição em ajudar, o Universo nos recompensa com ajuda naquilo que estamos precisando.


Também, a lembrança de como é bom adotar, e ter em casa um ser constantemente disponível para dar e receber amor.


Cuidar de animais domésticos é uma ótima forma de treinar dar e receber amor.


Por fim, a lembrança de que algo a mais nos conecta. Não sei por que, mas senti uma conexão especial com ela, me veio que sua alma e a minha já se encontraram em outra vida, e que ela apareceu para me dar uma alô nesse dia especial.


E assim como veio, foi.


Obrigado por ter aparecido, nos encontramos quando estivermos perdidos pelo caminho.

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